Portugal perdeu 92 mil explorações agrícolas nos últimos sete anos

Portugal perdeu 92 mil explorações agrícolas nos últimos sete anos, mas, em contrapartida, a dimensão média aumentou 22%, fixando-se agora em 11,4 hectares. E a população agrícola familiar decresce 30%, passando a representar apenas 8% da população residente.


Desapareceram 92 mil explorações


Carla Aguiar

   


Portugal perdeu 92 mil explorações agrícolas nos últimos sete anos, mas, em contrapartida, a dimensão média aumentou 22%, fixando-se agora em 11,4 hectares. E a população agrícola familiar decresce 30%, passando a representar apenas 8% da população residente. Estes indicadores constam do Inquérito à Estrutura das Explorações Agrícolas 2005, ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística ( INE), que representa a primeira publicação de análise ao sector após o último recenseamento em 1999.

O desaparecimento de quase 100 mil explorações não surpreende demasiado o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). "Há um elevado abandono da actividade em consequência das políticas que têm sido introduzidas e, por outro lado, as explorações médias têm sido compradas", disse ao DN Luís Mira. E, acrescenta, "é discutível que muito pequenas unidades das que desapareceram possam ser consideradas explorações".

Apesar de saudar o aumento da dimensão média das explorações, Luís Mira lembra que "ainda estamos muito longe da dimensão média comunitária, que ronda os 25 a 30 hectares, sendo que em França a referência é 40 hectares e na Inglaterra ainda é superior". Por isso, aquele dirigente da CAP tem dificuldades em entender as críticas ao facto de só 2% das explorações deterem mais de metade da superfície agrícola utilizada, tal como revela o inquérito do INE.

Apesar do aumento da dimensão e da modernização ocorrida no sector nos últimos anos, a produtividade da agricultura portuguesa é uma das mais baixas da União Europeia. Uma situação a que não é alheio o facto, destacado no inquérito, de 56% dos agricultores portugueses manterem a actividade agrícola apenas por motivos afectivos, sendo os mais velhos da Europa. Cerca de um terço da população agrícola familiar tem mais de 65 anos e 28% não tem qualquer nível de instrução.

A conjugação destes factores ajuda a explicar mais um dado apurado pelo INE: 85% dos produtores não efectuam registo contabilístico sistemático da actividade.

Alguns indicadores podem, à primeira vista causar estranheza: apesar do investimento em barragens, um quarto da superfície irrigável não é regada e, por outro lado, a superfície regada reduziu-se em 25% entre 1999 e 2005.

Luís Mira considera que parte da explicação para a redução da superfície regada reside no ajustamento constante dos produtores às orientações da política agrícola. "Os agricultores vão fazendo adaptações e se algumas culturas de regadio como o arroz ou o milho deixam de ser tão interessantes, tomam outras opções." As novas opções são, por exemplo, visíveis no sector pecuário. Nos últimos sete anos, o INE aponta um aumento de forma generalizada da dimensão média do efectivo pecuário por exploração e uma redução do encabeçamento.

Numa breve análise ao emprego no sector, o INE indica que só 6% das explorações contratam mão-de-obra permanente

 

Em http://dn.sapo.pt/2006/12/07/economia/desapareceram_mil_exploracoes.html 

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